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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Formação: Catequese Quaresmal 4

Nesta quarta catequese, tendo como pano de fundo a juventude, é importante aprofundar sobre a Eucaristia e a importância que os jovens devem dar a este Sacramento. O sinal básico deste Sacramento é a comunhão de mesa: pão e vinho são repartidos, a palavra da última ceia de Jesus convida: “Tomai e comei, (...) bebei” (Mt 26,26s). A Eucaristia cristã, a “Ceia do Senhor” (1 Cor 11, 20), tem sua origem no cear em Israel, que une os participantes entre si e com Deus; na ceia de Jesus com os apóstolos, que eram sinais realizadores de Seu convite para o reino de Deus e de Sua pró-existência (sua existência a favor de outros); e de Sua nova vinda, que os discípulos fizeram “ao partir do pão” (Lc 24,35). Porém se transforma também no sacrifício de louvor, incruento, que se atualiza a cada celebração. Na Eucaristia celebramos o tríduo pascal!
Na última Ceia de Jesus, em face da morte iminente, se concentrou na experiência de Sua ressurreição e de Sua nova vinda, que os discípulos fizeram “ao partir do pão” (Lc 24,35). Desde a aliança do Sinai até a congregação da comunidade na experiência pascal, a Ceia sempre é sinal de aliança: a aliança de Deus com os homens se realiza quando homens se aliam entre si. No comer e beber em comum se recebe a vida, celebra-se a aliança que possibilita a vida.
No Novo Testamento, a comunhão de mesa é o ato de Jesus por várias vezes referido nos Evangelhos. Ele é entendido por amigos e inimigos. Para uns é um ato convidativo, para outros é motivo de escândalo e inimizade por causa dos comensais com os quais Jesus se envolve. Com a parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32), Jesus justifica Sua comunhão de mesa com os pecadores, e com o convite para o banquete, com o qual termina a parábola, tenta convencer os justos a se alegrarem com o retorno do perdido. No relato da Última Ceia, por um lado é ceia de despedida: resumo da vida e, ao mesmo tempo, testamento comprometedor para os discípulos; por outro lado, ela aponta, como todas as comunhões de mesa de Jesus, para o futuro escatológico.
A iniciação cristã encontra seu ápice no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Com efeito, as ações litúrgicas da iniciação vão ordenadas a significar e produzir a união íntima do cristão com Cristo e com a Sua missão. A destinação para essa missão, que se recebe no Batismo, no qual o batizado fica marcado indelevelmente com o sinal de Cristo, reforça-se na plenitude do Espírito Santo, que nos é dada no Sacramento da Confirmação. Mas a Eucaristia, ao estabelecer a comunhão entre a pessoa do cristão e o seu Senhor, morto e ressuscitado, coloca-O diretamente no seio da vida divina. A Eucaristia não é só participação na graça, mas na própria fonte da graça.
A Eucaristia é sacrifical, sacramento da morte e da ressurreição, porque ela é o corpo de Cristo, “corpo entregue”, Ele se torna presente no instante da realização da salvação, corpo entregue e glorificado, a fim de que a Igreja se torne um só corpo com Ele na realização da salvação. A Eucaristia é o Sacramento da presença de Cristo, e é sacrifical em razão dessa presença. A Eucaristia é o sacramento do sacrifício de Cristo, por que, por ela, Cristo se doa à Igreja em Seu único sacrifício, em Sua morte e Sua ressurreição, nas quais foi eternizado. Ele se doa a ela, a fim de que ela celebre com Ele o único sacrifício. A Eucaristia é o corpo de Cristo no ato redentor, dado à Igreja para que se torne aquilo que ela recebe: o corpo de Cristo no ato redentor. Assim, salva em Cristo e com Ele, ela participa na salvação do mundo           .
Quanto aos jovens, vejo em nossas paróquias vários movimentos e pastorais juvenis que dedicam algum tempo para adoração ao Santíssimo Sacramento, ou ainda, quantos grupos de jovens que acontecem nos finais de semana têm o encontro e depois o ápice é a celebração da Santa Missa. Em minhas visitas, tenho notado uma maior participação dos jovens nas Santas Missas. A Igreja precisa sempre viver a máxima: “Jovem, evangeliza jovem”. Temos muitos grupos, movimentos, encontros em que a celebração Eucarística como centro de tudo, também se converge tanto para os trabalhos sociais como para tempos de conversão.
Por isso, o tempo de oração que fortalece o trabalho faz com que os jovens dediquem sempre um tempo para adorar o Senhor, pois precisamos de jovens adoradores. Nesse sentido, convido-os para fazerem parte dos adoradores do Santuário da Adoração Perpétua na nossa Igreja Matriz da Paróquia de Santana, no centro da cidade. Esses que adoram o Senhor são também os Jovens que vão levar ao mundo a Palavra do Senhor. E como temos precisado dessa Palavra num mundo em que a falta de Deus tem gerado o esfriamento na fé e obnubilado a razão de tantos! E, por isso, surgem várias coisas: a violência, o mundo das drogas, a prostituição, a criminalidade e tantos outros problemas.
Jovens, vocês podem ter um coração Eucarístico e levar ao mundo a semente da Palavra do Senhor, que é: a paz, o amor e a misericórdia através do testemunho de vida de cada um!

Aurtor: Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Fonte: http://arqrio.org/formacao/detalhes/1711/os-jovens-e-a-eucaristia-catequese-quaresmal-4

segunda-feira, 20 de março de 2017

Formação: Catequese Quaresmal 3

Os jovens e a confissão


Um dos belos temas que o Papa Francisco tem insistido é sobre o Sacramento da Reconciliação. Após o Ano da Misericórdia, a insistência continua para que os cristãos façam experiência do amor misericordioso de Deus no Sacramento da Reconciliação. É muito belo ver o exemplo de uma juventude de fé que reza e se aproxima deste sacramento. Neste nosso terceiro encontro, em que quero manifestar todo meu afeto por todos os jovens que trabalham nas pastorais, movimentos e associação, e às vésperas do “24 horas para o Senhor” e durante este tempo de “mutirões de confissões”, queremos aprofundar um pouco mais a respeito do Sacramento da Penitência e louvar a Deus pela participação do jovem na busca deste Sacramento.
  O específico do Sacramento da Penitência, em sua forma atual, consiste formalmente no fato de ele fazer parte da confissão pessoal e concreta dos pecados e que, em vista dessa confissão, o clérigo autorizado concede a absolvição. A isso corresponde o próprio Sacramento da Penitência em seu conteúdo: nele se unem elementos do juízo e da reconciliação. O Sacramento da Penitência é sinal realizador do juízo divino da graça para a reconciliação do pecador na comunhão da Igreja.
  O objetivo do Sacramento da Penitência é reconciliação, e isso no mencionado triplo sentido: reconciliação com Deus, que significa, simultaneamente, a redenção do afastamento de Deus; reconciliação com os semelhantes, que supera o abismo causado pela negação do amor; reconciliação do ser humano consigo mesmo, como superação da autoalienação dada com cada pecado. O nível teológico e o nível social estão intimamente inter-relacionados: a reconciliação acorre na reconciliação com a Igreja. Essa fórmula clássica da teologia da penitência mostra a estrutura básica de todos os Sacramentos: nas relações humanas acontece a proximidade transformadora de Deus.
  A palavra que anuncia a reconciliação deve ser acolhida no coração humano para que possa dar fruto. A resposta do homem é chamada comumente de conversão, ou seja, de volta. Não há reconciliação sem a iniciativa de Deus, mas também não há sem a resposta do homem. O Sacramento da Penitência supõe essencialmente um diálogo.
  No Antigo Testamento, sofrimento e culpa, mas também perdão e salvação se encontram em relação íntima. Isto já o ilustram as narrativas da queda na proto-história bíblica (cf. Gn 3; 4,1-16; 6-8; 11,1-9). O nexo entre culpa e destino está bem claro para os profetas: porque os ricos em Israel exploraram os pobres, vivem despreocupadamente no luxo e não se importam com a ruína do povo, “por isso agora têm que ir para o exílio” (Am 6,7). Porque Israel abandonou o seu Deus, “fonte da água viva”, por isso tem que agora viver com as cisternas rachadas que cavam para si mesmos: “Teu mau procedimento te castiga” (cf. Jr 2, 13.19). Da mesma forma estão ligadas entre si a salvação do exílio, a transformação interior e uma nova relação com Deus. Em Ezequiel, a transformação é descrita com as metáforas da purificação com água limpa, da concessão de um coração novo, da abertura dos sepulcros, da reunião das ossadas, da revivificação pelo sopro de Deus.
  No Novo Testamento, o sinal sacramental clássico para a conversão e perdão dos pecados é o Batismo. Por ele também está caracterizada a “nova vida” dos batizados: eles “morreram com Cristo”, para com Ele ressuscitarem (cf. Rm 6, 4.8).  Jesus tornou-se, em pessoa, a expiação de todos os pecados, “instrumento de propiciação por seu próprio sangue”. (Hb 3,25)
  O Sacramento da Penitência é constituído de três atos do penitente e da absolvição dada pelo sacerdote. Os atos do penitente são o arrependimento, a confissão ou manifestação dos pecados ao Sacerdote e o propósito de cumprir a penitência e as obras de reparação. A Igreja tem em seu mandamento que devemos confessar pelo menos uma vez no ano, por ocasião da festa da Páscoa da Ressurreição.
  Este tempo de Quaresma é propício para isto. Quantos jovens buscam este Sacramento! Nos últimos anos, tenho visto um grande número de jovens em nossa Arquidiocese ir em busca deste Sacramento. Quantos vão aos mutirões de Confissão realizados em nossas paróquias durante este tempo de Quaresma! Quantos ainda ao longo do ano buscam este Sacramento para estar em comunhão com Deus, a Igreja e com ele mesmo! E para aqueles jovens que estão afastados deste Sacramento, eis o tempo, eis o momento de se aproximar do Senhor, que os acolhe de braços abertos.
  A você jovem, coragem, pois Deus o ama, Deus o chama a ser um discípulo e missionário. Que o exemplo da alegria de tantos jovens reconciliados pelo Sacramento da Penitência contagie tantos outros para entrarem nesse caminho de conversão e de vida. Somos embaixadores que convocam a todos: reconciliai-vos com Deus! Eis o tempo favorável!

Aurtor: Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Fonte: http://arqrio.org/formacao/detalhes/1694/os-jovens-e-a-confissao-catequese-quaresmal-3

terça-feira, 14 de março de 2017

Formação: Catequese Quaresmal 1

Jovens e transmissão da fé


Iniciamos na Quarta-feira de Cinzas o Tempo Quaresmal de 2017. Estamos a caminho da Páscoa, refazendo a trajetória do Êxodo. Este é o tempo da conversão e da grande reflexão para melhor colocar o nosso coração e as nossas intenções em Deus. Ao longo deste período, como fizemos no ano passado, dedico as catequeses quaresmais aos jovens, dentro do contexto do tema proposto pelo Papa Francisco para o próximo Sínodo, que vai tratar da nossa amada juventude.
Nesta primeira catequese, fazendo a memória de nossos pais e avós, tão lembrados pelo Papa Francisco, quero falar da importância do papel dos pais e dos avós na transmissão da fé a seus filhos e netos. Essa transmissão da fé podemos caracterizar como missão.
A missão é parte constitutiva da identidade da Igreja, chamada pelo Senhor a evangelizar todos os povos. Sua razão de ser e agir como fermento e como alma da sociedade, que deve renovar-se em Cristo e transformar-se em família de Deus. Por isso, a missão deve, antes de tudo, animar a vocação missionária dos cristãos, fortalecer as raízes de sua fé e despertar sua responsabilidade para que todas as comunidades cristãs ponham-se em estado de missão permanente. Trata-se de despertar, nos cristãos, a alegria e a fecundidade de serem discípulos de Jesus Cristo, celebrando com verdadeiro gozo o “estar-com-Ele” e o “amar-com-Ele”, para serem enviados para a missão. É a vida do discípulo missionário, que nos orientou o documento de Aparecida da V Conferência.
A missão nos leva a viver o encontro com Jesus num dinamismo de conversão pessoal, pastoral e eclesial, capaz de impulsionar à santidade e ao apostolado os batizados e de atrair os que abandonaram a Igreja, os que estão distantes do influxo do Evangelho e os que ainda não experimentaram o dom da fé.
A juventude tem sido caracterizada por diferentes visões. Para muitos estudiosos da sociologia, da psicologia e da antropologia, esse é o momento primordial para as relações da vida em grupo, para a relação entre os grupos de iguais e para as profundas buscas e experiências que interferem nos resultados de encontros, desencontros, inseguranças, curiosidades, medos, confusões, indefinições, mudanças, crises e crescimentos. Devemos olhar para a juventude como um momento da vida em que se intensificam os questionamentos, discernimentos, entendimentos, sonhos. Tomemos cuidado para não cobrar da juventude algo que ainda não é possível de ser oferecido, bem como desacreditar em suas potencialidades.
A realidade nos mostra que um grande número de jovens é interessado pela comunidade cristã e se prepara com esmero para os sacramentos, em especial para o Sacramento da Crisma, mas nem todos perseveram. É urgente pensarmos em algo que seja mais contínuo para a participação dos jovens na vida eclesial e, nesse sentido, o grande trabalho da “iniciação cristã” se insere de modo claro e necessário. Nas realidades a que temos assistido, nas comunidades por onde temos passado em missão, seja para cursos, seja para uma animação da pastoral Bíblico-Catequética, vemos a preocupação dos catequistas com muitos jovens que não estão iniciados à vida cristã. Alguns, quando procuram, não encontram respaldo, não se tem o que oferecer a eles, e há centenas de jovens que nem atentos para isso estão. Temos muitas ovelhas que não estão no aprisco e que é necessário atingir.
A evangelização com jovens deve ser feita de momentos de interação que possibilitem o encontro com os outros, a partir da vivência da fé na vida em comunidade, e que os ajudem a fazer a experiência do Deus de Jesus Cristo. Não passar por cima das questões relativas à sexualidade, mas abordar com aquilo que a fé cristã pode oferecer para ajudar os jovens a aprimorarem e a amadurecerem sua sexualidade; não simplesmente com moralismos e interditos, mas como um caminho para a maior felicidade, ao esclarecer o uso mercadológico que é feito da exacerbação do sexo e as consequências disso na vida.
Os jovens de hoje vivem com urgência a busca de sentido que dê respostas às questões fundamentais do ser humano. Essa busca, e sua abertura experiencial ao religioso, são duas perspectivas que deverão ser tidas em conta na catequese, já que potenciam o caráter pessoal e personalizador que deve ter o ato de fé, sem menosprezo dos componentes racionais e institucionais da mesma fé.
Os jovens são de suma importância para Igreja, pois a Igreja busca a cada dia evangelizá-los com muito amor e carinho. Quantos jovens em nossas paróquias assumem lideranças, quantos jovens estão à frente dos ministérios de música, ou ainda quantos jovens estão empenhados no setor da juventude! São vários jovens, e a eles damos graças por estarem na caminhada, e que estes busquem se espelhar em Cristo Jesus. Assim, como Cristo foi fiel ao Pai, que também vocês possam fazer o mesmo.
Portanto, a catequese bem feita ajuda os jovens a sentirem-se incomodados, inquietos com a realidade social que os cerca, cheia de injustiças, discriminações e atentados à vida, e, a partir disso, leva-os a uma atitude de solidariedade, de compaixão ativa e de compromisso com o bem, com a verdade, a justiça e a vida, como fez Jesus. A educação da fé que aponta para o compromisso com a transformação da sociedade conduzirá o jovem para a realização do seu “ser jovem”, como agente transformador e protagonista dentro de uma sociedade que nem sempre o acolhe. Com isso, a catequese tem este papel de unir fé e vida, formando cidadãos do Reino, discípulos jovens que sejam apaixonados e seguidores de Jesus. É claro que terminado o período catequético dos jovens, cada paróquia deve oferecer momentos de oração, retiros, encontros e louvores para estes. Podemos citar como o grande exemplo desta expressão jovem na e da Igreja a Jornada Mundial da Juventude. Aqui no Rio de Janeiro, na JMJ 2013, foi marcante a presença e a Evangelização dos Jovens. Eles deram vivo testemunho da fé católica e demonstraram como é possível viver publicamente o que o Evangelho pede, sem renunciar ao que proclama a Mãe Igreja.
Esta é a grande missão dos pais e avós: transmitirem a fé que receberam de seus antepassados na integralidade proclamada pela Igreja. Assim cremos e assim deveremos testemunhar o seguimento cristão!

Aurtor: Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Fonte: http://arqrio.org/formacao/detalhes/1684/jovens-e-transmissao-da-fe-catequese-quaresmal-1