Publicamos uma ampla síntese
com o link ao texto integral da Exortação Apostólica do Papa Francisco, fruto
do Sínodo dos jovens realizado em outubro de 2018.
«Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a
mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo,
enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada
jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!».
Assim começa a Exortação Apostólica
pós-sinodal "Christus vivit" (Texto integral) de Francisco, assinada segunda-feira, 25 de
março, na Santa Casa de Loreto, e dirigida «aos jovens e a todo o povo de Deus».
No documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, o
Papa explica que se deixou «inspirar pela riqueza das reflexões e
diálogos do Sínodo dos jovens», celebrado no Vaticano em outubro de 2018.
Primeiro capítulo: «Que diz
a Palavra de Deus sobre os jovens?»
Francisco recorda que « numa época em
que os jovens contavam pouco, alguns textos mostram que Deus vê com olhos
diferentes» (6) e apresenta brevemente figuras de jovens do Antigo Testamento:
José, Gedeão (7), Samuel (8), o rei David (9), Salomão e Jeremias (10), a jovem
serva hebreia de Naaman e a jovem Rute (11). Depois passa para o Novo
Testamento. O Papa recorda que «Jesus, o eternamente jovem, quer dar-nos um
coração sempre jovem» (13) e acrescenta: «Notemos que Jesus não gostava que os
adultos olhassem com desprezo para os mais jovens ou os mantivessem,
despoticamente, ao seu serviço. Pelo contrário, pedia: “O que for maior entre
vós seja como o menor” (Lc 22, 26). Para Ele, a idade não estabelecia
privilégios; e o facto de alguém ter menos anos não significava que valesse
menos ou tivesse menor dignidade». Francisco afirma: «Nunca nos arrependeremos
de gastar a própria juventude a fazer o bem, abrindo o coração ao Senhor e
vivendo contracorrente» (17).
Segundo capítulo: «Jesus
Cristo sempre jovem»
O Papa aborda o tema dos primeiros anos de
Jesus e recorda a narração evangélica que descreve o Nazareno «em plena
adolescência, quando regressou para Nazaré com seus pais, depois que estes O
perderam e reencontraram no Templo» (26). Não devemos pensar, escreve
Francisco, que «Jesus fosse um adolescente solitário ou um jovem fechado em si
mesmo. A sua relação com as pessoas era a dum jovem que compartilhava a vida
inteira duma família bem integrada na aldeia», «ninguém O considerava um jovem
estranho ou separado dos outros» (28). O Papa faz notar que Jesus adolescente,
«graças à confiança que n’Ele depositam seus pais…move-Se livremente e aprende
a caminhar com todos os outros» (29). Estes aspectos da vida de Jesus não
deveriam ser ignorados na pastoral juvenil, «para não criar projetos que isolem
os jovens da família e do mundo, ou que os transformem numa minoria selecta e
preservada de todo o contágio». Precisamos, sim, «de projetos que os
fortaleçam, acompanhem e lancem para o encontro com os outros, o serviço
generoso, a missão» (30).
Jesus «vos ilumina, a vós jovens, mas a
partir da própria juventude que partilha convosco » e n’Ele se podem
reconhecer muitos traços típicos dos corações jovens (31). Junto «d’Ele,
podemos beber da verdadeira fonte que mantém vivos os nossos sonhos, projetos e
grandes ideais, lançando-nos no anúncio da vida que vale a pena viver» (32); «O
Senhor chama-nos a acender estrelas na noite doutros jovens» (33).
Francisco fala então da juventude da
Igreja e escreve: « Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles
que querem envelhecê-la, ancorá-la ao passado, travá-la, torná-la imóvel.
Peçamos também que a livre doutra tentação: acreditar que é jovem porque cede a
tudo o que o mundo lhe oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua
mensagem e mimetiza-se com os outros. Não! É jovem quando é ela mesma, quando
recebe a força sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presença de
Cristo e da força do seu Espírito em cada dia» (35).
É verdade que «nós, membros da Igreja, não
precisamos de aparecer como sujeitos estranhos. Todos nos devem sentir irmãos e
vizinhos, como os Apóstolos que «tinham a simpatia de todo o povo» (At 2, 47;
cf. 4, 21.33; 5, 13). Ao mesmo tempo, porém, devemos ter a coragem de ser diferentes,
mostrar outros sonhos que este mundo não oferece, testemunhar a beleza da
generosidade, do serviço, da pureza, da fortaleza, do perdão, da fidelidade à
própria vocação, da oração, da luta pela justiça e o bem comum, do amor aos
pobres, da amizade social» (36). A Igreja pode sempre cair na tentação de
perder o entusiasmo e procurar «falsas seguranças mundanas. São precisamente os
jovens que a podem ajudar a permanecer jovem» (37).
O Papa volta então a um dos ensinamentos que
ele gosta muito e explica que é necessário apresentar a figura de Jesus «de
modo atraente e eficaz» e diz: «Por isso é necessário que a Igreja não esteja
demasiado debruçada sobre si mesma, mas procure sobretudo refletir Jesus
Cristo. Isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem
mudar» (39).
Na exortação se reconhece que há jovens que
sentem a presença da Igreja «como importuna e até mesmo irritante». Um
comportamento que mergulha as raízes «mesmo em razões sérias e respeitáveis: os
escândalos sexuais e económicos; a falta de preparação dos ministros ordenados,
que não sabem reconhecer de maneira adequada a sensibilidade dos jovens; pouco
cuidado na preparação da homilia e na apresentação da Palavra de Deus; o papel
passivo atribuído aos jovens no seio da comunidade cristã; a dificuldade da
Igreja dar razão das suas posições doutrinais e éticas perante a sociedade
atual» (40).
Há jovens que «reclamam uma Igreja que escute
mais, que não passe o tempo a condenar o mundo. Não querem ver uma Igreja
calada e tímida, mas tão-pouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou
três assuntos que a obcecam. Para ser credível aos olhos dos jovens, precisa às
vezes de recuperar a humildade e simplesmente ouvir, reconhecer, no que os
outros dizem, alguma luz que a pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho»
(41). Por exemplo, uma Igreja demasiado temerosa e estruturada pode ser
constantemente crítica «de todos os discursos sobre a defesa dos direitos das
mulheres, e apontar constantemente os riscos e os possíveis erros dessas
reclamações», enquanto uma Igreja «viva pode reagir prestando atenção às
legítimas reivindicações das mulheres», embora «não concorde com tudo o que
propõem alguns grupos feministas» (42).
Francisco apresenta então «Maria, a
jovem de Nazaré», e o seu sim como aquele «de quem quer comprometer-se e
arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da
certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós:
Sentes-te portador duma promessa?» (44). Para Maria «as dificuldades não eram
motivo para dizer “não”» e assim colocando-se em jogo tornou-se a «influenciadora
de Deus». O coração da Igreja também está cheio de jovens santos. O
Papa recorda São Sebastião, São Francisco de Assis, Santa Joana d’Arc, o Beato
mártir Andrew Phû Yên, Santa Catarina Tekakwitha, São Domingos Sávio, Santa
Teresa do Menino Jesus, Beato Zeferino Namuncurá, Beato Isidoro Bakanja, Beato
Pier Jorge Frassati, Beato Marcelo Callo, a jovem Beata Clara Badano.




