quarta-feira, 15 de maio de 2019

Dom Nelson Francelino envia mensagem aos jovens do Brasil

Dom Nelson Francelino, bispo de Valença (RJ), foi eleito presidente da Comissão da CNBB para a Juventude para os próximos quatro anos. Como Pastor Referencial para a Juventude, o bispo enviou uma mensagem aos jovens de todo o Brasil.

Leia a mensagem na íntegra:

"Que Igreja seria a nossa sem a juventude? Sem a jovialidade das pessoas e das coisas? Seria uma Igreja calada, surda e quieta! São os jovens que são protagonistas de mudança; são eles que dão o exemplo ao presente através dos seus ideais de ousadia e de futuro. É pelos jovens que qualquer nada vira razão, que todo pouco cresce até ao infinito da existência. A juventude não é a fase das grandes conquistas, é sim a fase das longas caminhadas, de se perder pelo caminho para se reencontrar numa curva qualquer com a certeza do lugar onde se quer chegar. A fé em Deus a faz crer no incrível, ver o invisível e realizar o impossível.
Caríssimos Jovens, quero expressar minha gratidão aos irmãos bispos que me confiaram essa nova função junto à Pastoral juvenil do Brasil, que é marcada pela rica e intensa pluralidade de expressões, que se arrisca por esses longos e vários caminhos de sombras e luzes, visando recriar a esperança, sobretudo, nos locais onde ela existe como uma chama fadada a se apagar. São muitos os desafios do nosso tempo, mas os enfrentaremos com a força rejuvenescedora Pascal da comunhão e do diálogo misericordioso, pensando menos em nós e mais nos jovens machucados.
Assumo a missão nessa Comissão Pastoral Episcopal para a Juventude com a fé em Deus e apostando no protagonismo juvenil para dar prosseguimento a esse caminho que teve a inspiração e origem no início do pontificado do Papa Francisco, sob a presidência de dom Eduardo Pinheiro da Silva; uma boa ampliação na presidência de dom Vilson Basso e, agora, apostando na força do diálogo e da comunhão, pretendo me inspirar no protagonismo das várias expressões juvenis para colocar em prática o Projeto IDE e as indicações pós-sinodais do Papa Francisco para construir pontes e chegar junto aos vários tipos de periferias que marcam esse cenário juvenil.
Eu creio que a juventude é o maior tesouro da Igreja. Ela é classicamente chamada de “a flor da idade” porque é bela, forte, pujante, cheia de vida e desafios. Mas, atualmente, muitos jovens estão sofrendo porque perderam o sentido da vida e porque não lhes foi mostrada a sua beleza conforme a vontade de Deus.
Muitos ainda não sabem o valor que têm, por isso desprezam sua própria existência e a dos outros. Perdidos no tempo e no espaço, debatem-se, muitas vezes, no tenebroso mundo do crime, das drogas, da violência, do sexo sem compromisso e de outras mazelas.
Termino essas minhas primeiras palavras como presidente da comissão parafraseando um texto da música “Alma missionária”, de Ziza Fernandes, quando diz: “Leva-me aonde os jovens necessitem tua palavra; necessitem de força de viver. Onde falte a esperança, onde tudo seja triste simplesmente por não saber de ti”.

Dom Nelson Francelino
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a juventude


quarta-feira, 17 de abril de 2019

Notre Dame: A minha vigília diante do incêndio

Andrej é um jovem bielorrusso de Minsk que mora em Paris. Ele aparece no vídeo viralizado que mostra a oração pelo incêndio da Catedral. Voltando para casa, de madrugada, escreveu este relato em sua página do Facebook.

Vou contar como foi. Estava em casa, ao telefone com meus pais na Bielorrússia. Mal comecei a falar de uma coisa importante, e de repente da janela se ouvia o som das sirenes. Fechei a janela, e pensei: «Espero que não seja nada grave». Terminamos de conversar exatamente às oito. Fechei o Messenger e abri o Facebook: a primeira coisa que vi foram as fotos da Notre Dame em chamas.
Estive lá pela última vez no dia 5 de abril, quando expuseram a Coroa de Espinhos para adoração. Era o dia seguinte a quando em Minsk, a minha cidade, houve vigílias espontâneas por causa da destruição de dezessete cruzes em Kuropat, um lugar onde se recorda a repressão soviética com grandes cruzes. As pessoas reagiram indo rezar.
Saí de casa. Moro perto da Catedral. Da minha rua conseguia ver uma enorme coluna de fumaça. Depois de vinte minutos, cheguei à igreja melquita de Saint-Julien-le-Pauvre, bem na frente da Notre Dame, do outro lado do Sena. De lá dava para ver todo o incêndio. Primeiro me moveu uma curiosidade primordial, que moveria qualquer um. Mas também havia algo mais, sentia que tinha de ir lá. Não tinha a mínima ideia do que estava para acontecer.
As pessoas estavam em pé e cantavam a Ave Maria, em francês – Je vous salue Marie. Fiquei lá com eles. Não paravam de chegar pessoas novas, até que a certa altura a rua inteira ficou bloqueada por centenas de pessoas cantando. Alguns rezavam de joelhos, outros empunhando ícones e terços.
Um pouco de sociologia: quase todos tinham entre vinte e trinta anos. Homens e mulheres na mesma proporção. Havia rostos europeus, indianos, africanos, marroquinos, chineses. Eu vi até algumas crianças. Também apareceu meu coinquilino, que ficou lá por algum tempo. Mais tarde chegaram outros três amigos. A oração foi constante, sem pausas. Vi homens grandes e altos em lágrimas. E não só eles. Às vezes alguém saía e pedia a todos que fizessem um minuto de silêncio. Mas nas laterais continuavam cantando.
A certa altura, leram João 2,13-25, onde se fala dos vendilhões expulsos e da profecia de Jesus sobre a destruição do Templo. No Evangelho de João, esta foi a primeira Páscoa de Jesus em Jerusalém, ao passo que nos outros Evangelhos esse fato se deu logo após a entrada em Jerusalém, ou seja, antes da última Páscoa. Há quem considere que esse fato tenha acontecido na própria Quinta-feira Santa.
Depois foi a vez do Pai Nosso, rezado com todos. Depois a oração a Santa Genoveva, padroeira de Paris. E depois ainda a oração a Nossa Senhora de São João Paulo II, rezada por ele diante da Notre Dame. A oração de São Francisco e depois um trecho de Charles Péguy sobre Nossa Senhora. Rezamos também pelos bombeiros.
Foram trazidos água e biscoitos, passados para todos. Não havia sacerdotes, não havia ninguém que de algum modo conduzisse, tudo foi organizado espontaneamente. Apareceram um menininho e uma menininha com violinos e juntaram sua música ao canto. Fica escuro, acendem-se os postes. Das duas colunas da Catedral dava para ver as luzes das lanternas dos bombeiros. Acima do incêndio, luzes vermelhas e também estrelas vermelhas que se confundiam com elas – eram os drones para tirar fotos. Os sinos tocavam em todo o entorno.
Às 23h10, uma pessoa comunicou a todos que tinham conseguido salvar a estrutura da catedral.
Alguém começou a cantar o hino Nous Te saluons, couronnée d'étoiles, e todos se uniram ao coro. E depois mais alguns cantos a Maria.
Disseram que a Coroa de Espinhos e a túnica de São Luís foram salvas do fogo. Começam a cantar o Salve Regina em latim. Depois de novo Je vous salue Marie, várias vezes.
O fogo ainda estava ardendo, mas foi ficando mais fraco. Aos poucos as pessoas começaram a ir embora. Depois da meia-noite, eu e meus amigos também nos levantamos e fomos até o metrô. Aproximou-se de mim uma jornalista, mostrando o celular onde tinha anotado a letra de Je vous salue Marie, e perguntando-me que oração era. Eu expliquei.
Fomos ver a situação em outra rua, e lá havia a mesma multidão de pessoas que também cantavam. Parece que também foi assim em outras ruas, nas pontes e nas praças. Milhares de pessoas cantando por horas nas ruas. É mais ou menos como uma revolução.
Agora penso: as pessoas com quem rezei não estavam rezando pela simples tristeza pela destruição de uma parte da herança cultural, não estavam chorando porque estava pegando fogo um símbolo da nação francesa. As pessoas estavam lá e rezavam a Notre Dame, a Nossa Senhora. Ninguém convocou esses jovens, nem padres nem bispos. Foi um movimento espontâneo, embora ordenado e respeitoso. Eu vi os tijolos da verdadeira Igreja, uma Igreja jovem e viva que se mostrava a si mesma. Eu também, com aquela jornalista, dei um pequeno testemunho. Sim, porque foi um momento de testemunho. Ninguém esperava o incêndio. Mas ninguém tampouco esperava esse tido de reação. Foi um acontecimento, diferente de qualquer coisa que se pudesse imaginar. Algo que irrompe uma continuidade.
Agora vamos ver o que Deus vai nos pedir nos próximos dias que nos separam da Páscoa.


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Papa Francisco aos jovens: vivam a "Christus vivit" e rezem pela paz

"Nesse texto, cada um de vocês pode encontrar inspirações fecundas para a sua vida e seu caminho de crescimento na fé e no serviço aos irmãos", disse Francisco. O Papa ofereceu aos fiéis, na Praça São Pedro, um Terço de madeira de oliveira feito na Terra Santa para a Jornada Mundial da Juventude no Panamá, em janeiro passado, e para este Domingo de Ramos.

O Santo Padre rezou a oração mariana do Angelus deste Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (14/04), no final da missa celebrada na Praça São Pedro.
Francisco saudou todas as pessoas que participaram da celebração eucarística e também aquelas que acompanharam a missa através dos meios de comunicação.
“Esta saudação se estende a todos os jovens que hoje, em torno de seus bispos, celebram a Jornada da Juventude em todas as dioceses do mundo. Queridos jovens, convido todos vocês a tornarem suas e a viverem cotidianamente as indicações da recente Exortação Apostólica Christus vivit, fruto do Sínodo que também envolveu muitos de seus coetâneos. Nesse texto, cada um de vocês pode encontrar inspirações fecundas para a sua vida e seu caminho de crescimento na fé e no serviço aos  irmãos.”
A seguir, o Papa disse:
“No contexto deste domingo, quis oferecer a todos vocês reunidos na Praça de São Pedro, um Terço especial. As contas desse Terço de madeira de oliveira foram feitas na Terra Santa expressamente para o Encontro Mundial da Juventude no Panamá, em janeiro passado, e para o Dia de Hoje. Por isso, renovo o meu apelo aos jovens e a todos para rezarem o Terço pela paz, especialmente pela paz na Terra Santa e no Oriente Médio.”
Por fim, o Papa pediu à Virgem Maria para que nos ajude a viver bem a Semana Santa.


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Papa: a Crisma é o sacramento da fortaleza, não do adeus à Igreja

Papa Francisco realizou sua 19ª visita paroquial na Diocese de Roma. Na tarde de domingo, se reuniu com os fiéis da paróquia de São Júlio, não muito distante do Vaticano.

A tarde de domingo (07/04) foi de oração, reflexão e festa para os fiéis da paróquia romana de São Júlio, situada no bairro de Monteverde, que recebeu a visita do Papa Francisco.
O Pontífice foi acolhido pelo seu vigário para a Diocese de Roma, cardeal Angelo De Donatis, pelo bispo auxiliar do setor Oeste, dom Paolo Selvadagi, pelo pároco pe. Dario Frattini, e pelo pe. Rinaldo Guarisco, superior geral dos Cônegos Regulares da Imaculada Conceição, aos quais é confiada a paróquia.

A Crisma é o sacramento da fortaleza, não do adeus à Igreja
Antes de celebrar a missa, o Papa se reuniu com os vários grupos que formam a comunidade paroquial debaixo de uma tenda. Devido ao desmoronamento de parte da paróquia, os fiéis passaram os últimos três anos realizando as atividades e celebrando a missa numa estrutura coberta de lona.
Francisco respondeu a algumas perguntas, sendo uma delas sobre as dúvidas acerca da fé.
“Devemos apostar numa coisa: na fidelidade de Jesus. Jesus é fiel, o único totalmente fiel. Não devemos ter medo da fidelidade”, disse o Papa a uma animadora catequética.
“Ensine os jovens a duvidar. Em Roma se diz que a Crisma é o sacramento do adeus, isso acontece porque os jovens não sabem como administrar as dúvidas. Mas a Crisma deve ser o sacramento da fortaleza que o Espírito Santo nos dá.”
Intimidade com Jesus
O Papa confidenciou que chegou a duvidar da fé diante das calamidades, de acontecimentos de sua vida, mas afirmou que não se sai sozinho das dúvidas, que é necessário a companhia de uma pessoa que ajude a ir avante, além da intimidade com Jesus.
O Santo Padre relatou que recebeu uma carta dias atrás de um jovem de 30 anos, que se dizia “despedaçado” depois de uma experiência amorosa falida. “Nestes casos, aconselhou o Papa, é preciso olhar para Jesus, lamentar-se com Ele. Todos caímos. O único momento em que é lícito olhar uma pessoa de cima para baixo é na hora de ajudar alguém a se levantar.”
O Pontífice saudou em seguida as crianças e suas famílias e confessou três jovens e uma mãe. Com a finalização das obras, a missa presidida por Francisco previa o Rito de Dedicação do Altar. O Papa não pronunciou a homilia.


terça-feira, 2 de abril de 2019

Exortação "Christus vivit": síntese ampla e texto integral


Publicamos uma ampla síntese com o link ao texto integral da Exortação Apostólica do Papa Francisco, fruto do Sínodo dos jovens realizado em outubro de 2018.

«Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!».
Assim começa a Exortação Apostólica pós-sinodal "Christus vivit" (Texto integral) de Francisco, assinada segunda-feira, 25 de março, na Santa Casa de Loreto, e dirigida «aos jovens e a todo o povo de Deus». No documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, o Papa explica que se deixou  «inspirar pela riqueza das reflexões e diálogos do Sínodo dos jovens», celebrado no Vaticano em outubro de 2018.

Primeiro capítulo: «Que diz a Palavra de Deus sobre os jovens?»
Francisco recorda que « numa época em que os jovens contavam pouco, alguns textos mostram que Deus vê com olhos diferentes» (6) e apresenta brevemente figuras de jovens do Antigo Testamento: José, Gedeão (7), Samuel (8), o rei David (9), Salomão e Jeremias (10), a jovem serva hebreia de Naaman e a jovem Rute (11). Depois passa para o Novo Testamento. O Papa recorda que «Jesus, o eternamente jovem, quer dar-nos um coração sempre jovem» (13) e acrescenta: «Notemos que Jesus não gostava que os adultos olhassem com desprezo para os mais jovens ou os mantivessem, despoticamente, ao seu serviço. Pelo contrário, pedia: “O que for maior entre vós seja como o menor” (Lc 22, 26). Para Ele, a idade não estabelecia privilégios; e o facto de alguém ter menos anos não significava que valesse menos ou tivesse menor dignidade». Francisco afirma: «Nunca nos arrependeremos de gastar a própria juventude a fazer o bem, abrindo o coração ao Senhor e vivendo contracorrente» (17).

Segundo capítulo: «Jesus Cristo sempre jovem»
O Papa aborda o tema dos primeiros anos de Jesus e recorda a narração evangélica que descreve o Nazareno «em plena adolescência, quando regressou para Nazaré com seus pais, depois que estes O perderam e reencontraram no Templo» (26). Não devemos pensar, escreve Francisco, que «Jesus fosse um adolescente solitário ou um jovem fechado em si mesmo. A sua relação com as pessoas era a dum jovem que compartilhava a vida inteira duma família bem integrada na aldeia», «ninguém O considerava um jovem estranho ou separado dos outros» (28). O Papa faz notar que Jesus adolescente, «graças à confiança que n’Ele depositam seus pais…move-Se livremente e aprende a caminhar com todos os outros» (29). Estes aspectos da vida de Jesus não deveriam ser ignorados na pastoral juvenil, «para não criar projetos que isolem os jovens da família e do mundo, ou que os transformem numa minoria selecta e preservada de todo o contágio». Precisamos, sim, «de projetos que os fortaleçam, acompanhem e lancem para o encontro com os outros, o serviço generoso, a missão» (30).
Jesus «vos ilumina, a vós jovens, mas a partir da própria juventude que partilha convosco » e n’Ele se podem reconhecer muitos traços típicos dos corações jovens (31). Junto «d’Ele, podemos beber da verdadeira fonte que mantém vivos os nossos sonhos, projetos e grandes ideais, lançando-nos no anúncio da vida que vale a pena viver» (32); «O Senhor chama-nos a acender estrelas na noite doutros jovens» (33).
Francisco fala então da juventude da Igreja e escreve: « Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que querem envelhecê-la, ancorá-la ao passado, travá-la, torná-la imóvel. Peçamos também que a livre doutra tentação: acreditar que é jovem porque cede a tudo o que o mundo lhe oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua mensagem e mimetiza-se com os outros. Não! É jovem quando é ela mesma, quando recebe a força sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presença de Cristo e da força do seu Espírito em cada dia» (35).
É verdade que «nós, membros da Igreja, não precisamos de aparecer como sujeitos estranhos. Todos nos devem sentir irmãos e vizinhos, como os Apóstolos que «tinham a simpatia de todo o povo» (At 2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13). Ao mesmo tempo, porém, devemos ter a coragem de ser diferentes, mostrar outros sonhos que este mundo não oferece, testemunhar a beleza da generosidade, do serviço, da pureza, da fortaleza, do perdão, da fidelidade à própria vocação, da oração, da luta pela justiça e o bem comum, do amor aos pobres, da amizade social» (36). A Igreja pode sempre cair na tentação de perder o entusiasmo e procurar «falsas seguranças mundanas. São precisamente os jovens que a podem ajudar a permanecer jovem» (37).
O Papa volta então a um dos ensinamentos que ele gosta muito e explica que é necessário apresentar a figura de Jesus «de modo atraente e eficaz» e diz: «Por isso é necessário que a Igreja não esteja demasiado debruçada sobre si mesma, mas procure sobretudo refletir Jesus Cristo. Isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem mudar» (39).
Na exortação se reconhece que há jovens que sentem a presença da Igreja «como importuna e até mesmo irritante». Um comportamento que mergulha as raízes «mesmo em razões sérias e respeitáveis: os escândalos sexuais e económicos; a falta de preparação dos ministros ordenados, que não sabem reconhecer de maneira adequada a sensibilidade dos jovens; pouco cuidado na preparação da homilia e na apresentação da Palavra de Deus; o papel passivo atribuído aos jovens no seio da comunidade cristã; a dificuldade da Igreja dar razão das suas posições doutrinais e éticas perante a sociedade atual» (40).
Há jovens que «reclamam uma Igreja que escute mais, que não passe o tempo a condenar o mundo. Não querem ver uma Igreja calada e tímida, mas tão-pouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou três assuntos que a obcecam. Para ser credível aos olhos dos jovens, precisa às vezes de recuperar a humildade e simplesmente ouvir, reconhecer, no que os outros dizem, alguma luz que a pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho» (41). Por exemplo, uma Igreja demasiado temerosa e estruturada pode ser constantemente crítica «de todos os discursos sobre a defesa dos direitos das mulheres, e apontar constantemente os riscos e os possíveis erros dessas reclamações», enquanto uma Igreja «viva pode reagir prestando atenção às legítimas reivindicações das mulheres», embora «não concorde com tudo o que propõem alguns grupos feministas» (42).
Francisco apresenta então «Maria, a jovem de Nazaré», e o seu sim como aquele «de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: Sentes-te portador duma promessa?» (44). Para Maria «as dificuldades não eram motivo para dizer “não”» e assim colocando-se em jogo tornou-se a «influenciadora de Deus».  O coração da Igreja também está cheio de jovens santos. O Papa recorda São Sebastião, São Francisco de Assis, Santa Joana d’Arc, o Beato mártir Andrew Phû Yên, Santa Catarina Tekakwitha, São Domingos Sávio, Santa Teresa do Menino Jesus, Beato Zeferino Namuncurá, Beato Isidoro Bakanja, Beato Pier Jorge Frassati, Beato Marcelo Callo, a jovem Beata Clara Badano.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Papa Francisco incentiva jovens a não deixar a paróquia após a Crisma

No encontro que teve com as crianças e jovens da paróquia de São Crispim de Viterbo, em Roma, o Papa Francisco os incentivou a não deixarem de frequentar a igreja depois de receberem o sacramento da Crisma, ou Confirmação.
No domingo, 3 de março, o Papa manteve um diálogo com as crianças e jovens que se preparam para a Primeira Comunhão e a Crisma e lhes disse que depois de receber estes sacramentos é necessário perseverar na vida de fé, "porque muitos fazem a Crisma e se despedem do pároco e não voltam até o momento do casamento. É bonito voltar para o casamento. É bonito ou não?”. "Sim", responderam os presentes.
Então, Francisco continuou: "É bonito ir embora depois da Crisma e não voltar mais até o momento do casamento? Não, isso não é bonito. A Crisma é o sacramento que lhes dá força, a força para lutar, para seguir adiante, para vencer na vida. Não é o sacramento do adeus paróquia!".
O Pontífice explicou que a Crisma é o sacramento que dá "a força para viver como cristão, para lutar, porque vem a Ti o Espírito Santo que te ajuda. E a Crisma ajudará vocês a irem adiante na vida, a lutarem, sobretudo, lhes dará uma coisa belíssima: o Espírito Santo, e o Espírito Santo traz um presente muito grande: a alegria".
Em seguida, o Papa questionou: "Uma criança ou um jovem que não é alegre, está bem?". E respondeu: "Não, não está bem. Fica apagado e triste, e isso não está bem". "E se você se sentir triste e não conseguir ficar alegre, vá até a sua mãe, seu pai, seu pároco, seu catequista e pergunte: 'Por que eu não consigo estar alegre?' Defender a alegria. E me diga, o diabo te dá alegria?", ao que os participantes responderam: "Não". "Não, te dá tristeza e raiva. Te deixa com raiva, e depois? Tristeza. As pessoas pensam que quando o diabo diz ‘faça isso’, te dá alegria. É uma alegria aparente", afirmou o Papa.
Francisco, então, comparou a falsa alegria que o diabo dá com comer doces, porque quando você come muitos, disse, "seu estômago fica doendo".
"O diabo te dá a alegria momentânea e depois vem a 'dor de estômago' na alma. Adoece a sua alma. Em vez disso, o Espírito Santo te dá a glória que não te deixa doente. Entendido? Sejam corajosos! Obrigado. E sejam firmes. Obrigado!", concluiu o Papa.
O numeral 1285 do Catecismo da Igreja Católica afirma que, "juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos ‘sacramentos da iniciação cristã’ cuja unidade deve ser salvaguardada".
Também aponta que “pelo sacramento da Confirmação [os fiéis] são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de força especial do Espírito Santo”.
"E assim, mais estritamente obrigados à fé que, como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras".
"A Confirmação, como o Batismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou caráter indelével; razão pela qual só se pode receber este sacramento uma vez na vida", diz o numeral 1317.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-incentiva-jovens-a-nao-deixar-a-paroquia-apos-a-crisma-99269

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Formação Lectionautas

Formação da Leitura Orante da Bíblia, na Paróquia São Rafael Arcanjo (Vista Alegre), ocorrida no dia 16 de fevereiro.












sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Semana de formação da Iniciação Cristã de Jovens e Adultos do Vicariato Norte

Aconteceu na Paróquia Sangue de Cristo, nos dias 19, 20 e 21 de fevereiro.

1º dia – Tema: Campanha da Fraternidade 2019



2º dia – Tema: Fato ou Fake?




3º dia – Tema: E a sua família como vai?








Padre Aldo, vigário episcopal, marcou presença.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Portugal é anunciada como sede da próxima JMJ em 2022

Diante de milhares presentes no Campo São João Paulo II, localizado no Metro Park, no Panamá, durante celebração eucarística iniciada às 08h (horário local) é anunciado ao mundo a cidade de Lisboa para sediar a próxima Jornada Mundial da Juventude em 2022. Além do Papa Francisco, bispos, sacerdotes, peregrinos, voluntários e diversas famílias que disponibilizaram suas casas para acolhida estiveram presentes na celebração que encerrou oficialmente esta edição do evento no dia 27 de janeiro.
“Julgo que a JMJ em Lisboa será uma oportunidade única para dar a conhecer a realidade católica portuguesa ao mundo, mas também a cultura do nosso país. Por outro lado nós, os portugueses, vamos poder testemunhar um dos eventos católicos mais ricos do mundo, em termos espirituais e culturais, porque são sempre inúmeros os jovens que chegam, de culturas tão diferentes, mas todos com a mesma fé em Deus, confiança e ligação ao Papa", declarou emocionada Leopoldina Simões, jornalista portuguesa que atuou como voluntária do Centro Internacional de Mídia da JMJ 2019.
Antes do anúncio de Portugal como próxima anfitriã, o Sumo Pontífice exortou a juventude: “será anunciado o local da próxima edição da Jornada; peço-vos para não deixar esfriar o que vivestes nestes dias; regressai às vossas paróquias e comunidades, às vossas famílias e aos vossos amigos, e transmiti esta experiência, para que outros possam vibrar com a força e o sonho que tendes em vós; com Maria, continuai a dizer `sim` ao sonho que Deus semeou em vós”. Concluiu então com um último pedido: “E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim!”

PORTUGAL
De acordo com o Departamento Nacional da Juventude de Portugal, participaram da JMJ 2019 cerca de 300 peregrinos portugueses de 12 Dioceses, 6 Bispos, 6 Congregações ou Movimentos e 30 Voluntários. 
Lisboa possui o título de Patriarcado e foi ereto como Diocese no século IV, sendo assim uma das mais antigas do mundo. Somente no dia 07 de novembro de 1716 tornou-se Sé Patriarcal, uma das maiores demonstrações de dignidade honorífica atribuída a uma circunscrição eclesiástica. O título de Patriarca é atribuído ao bispo da localidade desde 1716. O atual Patriarca é Manuel José Macário do Nascimento Clemente que desde 2005 foi nomeado Cardeal.
A primeira Jornada Mundial da Juventude começou em Roma em 1985, tendo suas próximas edições em 1987, Buenos Aires (Argentina); em 1989, Santiago de Compostela (Espanha); em 1991, Czestochowa (Polónia); em 1993 em Denver (EUA); em 1995, Manila (Filipinas); em 1997, Paris (França); em 2000, Roma (Itália); em 2002, Toronto (Canadá); em 2005, Colónia (Alemanha); em 2008, Sidney (Austrália); em 2011, Madrid (Espanha); Rio de Janeiro (Brasil), em 2013; Cracóvia (Polónia), em 2016; e Cidade do Panamá, em 2019. Lisboa sediará a próxima Jornada em 2022.

Fonte: https://noticias.panama2019.pa/pt/em-missa-de-encerramento-da-jmj-papa-francisco-anuncia-portugal-como-sede-da-proxima-edicao/

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Documento final do Sínodo dos jovens já está disponível em português

Já está disponível a versão em português do Documento final do Sínodo sobre a Juventude, realizado em outubro deste ano. Dividido em três partes, 12 capítulos, 167 parágrafos e 60 páginas, o documento tem como fio condutor a passagem do Evangelho de Lucas sobre os discípulos de Emaús. “Pôs-se com eles a caminho”, “’Os seus olhos abriram-se’ – Um novo Pentecostes ” e “’Voltaram imediatamente’ – Uma Igreja jovem” são os títulos de cada uma das três partes do texto.
Para o arcebispo de Brasília (DF) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha, que foi o relator geral do Sínodo, o texto é “o resultado de um verdadeiro trabalho de equipe” dos padres sinodais, juntamente com os outros participantes no Sínodo e “em modo particular os jovens”.
A primeira parte do documento recebeu a tradução “Pôs-se a com eles a caminho. Nela, é apresentado o contexto no qual os jovens estão inseridos. Ressalta-se a Igreja em escuta, apontam-se “três pontos cruciais” e são abordadas questões como identidade e relacionamento, além do ser jovem hoje.
A segunda parte, “os olhos abriram-se”, reforça o papel renovador da juventude na Igreja, portadora de uma “sã inquietação”. Acolhimento, respeito e acompanhamento ao dinamismo dos jovens são indicações deste trecho, que aborda o dom da juventude, o mistério da vocação, a missão do acompanhamento e a arte de discernir.
Por fim, em seu último título, que foi traduzido como “Voltaram imediatamente”, são pontuadas a sinodalidade missionária da Igreja, a caminhada conjunta com os jovens no cotidiano, o renovado ímpeto missionário e a formação integral. É desta parte do texto que sai o convite às Conferências Episcopais e às Igrejas particulares para prosseguir no processo de discernimento com o objetivo de elaborar soluções pastorais específicas à realidade juvenil.





Fonte: http://www.cnbb.org.br/esta-disponivel-em-portugues-o-documento-final-do-sinodo-dos-jovens-realizado-em-outubro-deste-ano/

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

2ª Tarde Mariana anima a juventude da Iniciação Cristã do Vicariato Suburbano

Uma tarde do abraço: assim poderia se chamar a 2ª Tarde Mariana da Iniciação Cristã de Jovens e Adultos do Vicariato Suburbano, promovida dia 21, no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, no bairro de Campinho.
O evento, que teve sua primeira edição em 2017, é voltado para a animação pastoral dos jovens e adultos que se encontram em preparação para receber os sacramentos da Iniciação Cristã e, sendo em outubro, mês dedicado às missões, reforça o caráter missionário daqueles que se preparam para a vida cristã dentro do propósito tantas vezes reforçado pelo Papa Francisco, de ter uma Igreja em saída.
O encontro teve início às 14 horas com a entrada e entronização da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e com a recitação do terço, que foi concluída com uma bela encenação do grupo Amparo´s Dance, formado por jovens catequizandos da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo e Santa Maria Goretti.


Após o terço, tivemos momentos de muita animação conduzida pelo Ministério Aliança Viva, do próprio santuário, pausas para as “selfies” e uma participação muito tocante da Juventude Mariana, que apresentou um jeito diferente de viver a espiritualidade mariana. Para fechar a tarde, tivemos um testemunho animado do jovem Rui, catequizando da Amparo, e já engajado na comunidade.
O lanche, que ficou para o final, além de restaurar as forças do corpo para o retorno, também foi ocasião para mais selfies, abraços e muita integração.

Ano que vem tem mais, se Deus quiser. E salve Maria!



Wallace Farias – Coordenador de Jovens e Adultos do Vicariato Suburbano


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Jovens: uma opção preferencial

D. Orani João Tempesta
Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro

Iniciamos o mês de outubro, e como alguns meses são muito expressivos e temáticos na Igreja no Brasil, o de outubro não é diferente. Mês do Rosário, dedicado às missões, convocando todo o povo de Deus a se fazerem missionários do Evangelho, que se inicia com a Semana Nacional da Vida e a celebração da Rainha e padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida; mês que rezamos pelas nossas crianças, para que tenham um futuro resguardado pela fé e esperança. Enfim, muitos são os motivos para rendermos graças ao Pai neste mês que se inicia, mas uma intenção especial requer nossa atenção, pois entre os dias 3 e 28 estará acontecendo, em Roma, o Sínodo dos Bispos sobre a Juventude, com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.
O tema foi estabelecido após uma consulta às Conferências Episcopais, às Igrejas Orientais Católicas, a União dos Superiores Gerais e a sugestão dos padres da última Assembleia Sinodal. Reúne, num único tema, as preocupações de bispos, padres, religiosos e religiosas, e até das Igrejas Orientais que representam um grande número de homens e mulheres preocupados com a evangelização dos jovens.
Pesquisas revelam que um bilhão e 800 mil pessoas entre 16 e 29 anos, isto é, ¼ da Humanidade, são os jovens do mundo. Só os números nos causam perplexidade, pois como anda a vida de fé e de compromisso comunitário desses jovens? No Instrumento de Trabalho do Sínodo, os padres sinodais puderam encontrar a descrição de sua variedade, suas esperanças e dificuldades, pois foi um momento de convergência da escuta de todos os componentes da Igreja e também de vozes que não pertencem a ela.
O Documento Preparatório, elaborado para consultar a Igreja no mundo inteiro, inicia dizendo que “através dos jovens, a Igreja poderá ouvir a voz do Senhor que ressoa, inclusive nos dias de hoje. (…) ouvindo as suas aspirações, podemos entrever o mundo de amanhã que vem ao nosso encontro e os caminhos que a Igreja é chamada a percorrer”. O Papa também ouviu os jovens reunidos na semana anterior ao Domingo de Ramos, tanto presencialmente como virtualmente. Tudo isso foi acrescentando dados ao documento preparatório para a elaboração do instrumento de trabalho.
Esse material, enviado a todas as dioceses do mundo, foi estruturado em três partes: reconhecer, interpretar e escolher, buscando oferecer as chaves de leitura da realidade juvenil, baseando-se em diferentes fontes, entre as quais um questionário on-line que reuniu as respostas de mais de cem mil jovens.
Depois de viver neste último final de semana um belo encontro com os jovens da região junto aos Arcos da Lapa, aqui no Rio de Janeiro, e em preparação ao Dia Nacional da Juventude, somos chamados a refletir e a rezar juntos para que este tempo dedicado aos jovens nos ajude a esclarecer os caminhos a serem percorridos para que, jovens evangelizados, sejam sinais e evangelizem outros jovens.
A primeira parte trata dos “Jovens no Mundo de Hoje”, mundo que se transforma rapidamente em todos os sentidos. Este mundo que é multicultural e multirreligioso. Por ser de diferentes tradições religiosas, representa um desafio e uma oportunidade: pode aumentar a desorientação e a tentação ao relativismo, mas, ao mesmo tempo, cresce a possibilidade de confronto fecundo e de enriquecimento recíproco. A questão da multiculturalidade aparece nas chamadas “segundas gerações”, ou seja, jovens que crescem numa cultura diferente daquela em que cresceram seus pais. É o forte movimento migratório pelo mundo afora. Aos olhos da fé parece que este é um sinal do nosso tempo, o qual exige um crescimento na cultura da escuta, do respeito e do diálogo, enfim, da cultura do encontro. Outros elementos de análise que o texto sugere: Como vivem os jovens nas diversas partes do mundo? Como é trabalhada a inclusão dos jovens? Grande desafio representa o grande número de jovens que “nem estudam, nem trabalham, nem se educam para uma profissão”. Quais são as referências para os jovens que sejam próximas, credíveis, honestas?
Portanto, ao querermos responder esses desafios lançados pelo Papa Francisco, outros, de nossa realidade, também vão nascendo: o que querem os jovens de hoje? Sobretudo, o que buscam na Igreja? Em primeiro lugar, desejam uma “Igreja autêntica”, que brilhe por “exemplaridade, competência, corresponsabilidade e solidez cultural”, uma Igreja que compartilhe “sua situação de vida à luz do Evangelho, ao invés de fazer pregações”, uma Igreja que seja “transparente, acolhedora, honesta, atraente, comunicativa, acessível, alegre e interativa”. Enfim, uma Igreja “menos institucional e mais relacional, capaz de acolher sem julgar previamente, amiga e próxima, acolhedora e misericordiosa”.
Há também quem não pede nada à Igreja ou pede que seja deixado em paz, considerando-a uma interlocutora não significativa ou uma presença que “incomoda e irrita”. Um motivo para essa atitude está nos casos de escândalos sexuais e econômicos, como bem nos recordou o Santo Padre dias atrás, sobre os quais os jovens pedem à Igreja que “reforce sua política de tolerância zero”. Outro motivo está no despreparo dos ministros ordenados e na dificuldade da Igreja em explicar o motivo das próprias posições doutrinais e éticas diante da sociedade contemporânea.
Diante desses e outros desafios emergentes na evangelização de nossos jovens, devemos ter nítidos alguns métodos que podem nos ajudar nesse campo tão fértil e laborioso. A escuta: os jovens querem ser ouvidos com empatia; Acompanhamento: espiritual, psicológico, formativo, familiar e vocacional; Conversão: seja de tipo religioso, sistêmico, ecológico e cultural; Discernimento: uma das palavras mais usadas no documento, seja no sentido de uma “Igreja em saída” para responder às exigências dos jovens, seja como dinâmica espiritual; Desafios: discriminações religiosas, racismo, precariedade no trabalho, pobreza, dependência de drogas e álcool, bullying, exploração sexual, corrupção, tráfico de pessoas, educação e solidão; Vocação: repensar a pastoral juvenil; Santidade: o documento se concluiu com uma reflexão sobre a santidade, “porque a juventude é um tempo para a santidade”. Que a vida dos santos inspire os jovens de hoje a “cultivar a esperança” para que – como escreve o Papa Francisco na oração final do documento – os jovens, “com coragem, tomem as rédeas de sua vida, almejem as coisas mais belas e mais profundas, e mantenham sempre um coração livre”.
Não podemos esquecer a Conferência de Puebla, no México, em (1979), que assinalou: “Lembremos que a opção preferencial, definida em Puebla, é dupla: pelos pobres e pelos jovens. É significativo que a opção pela juventude seja, de maneira geral, totalmente silenciada”. Essa constatação é sintomática e nos leva a repensar seriamente sobre as práticas pastorais que tivemos no passado e o porquê do “silêncio” na atenção que deveria ter sido dada à juventude.
A convocação do Sínodo é uma atitude querida pelo Papa Francisco, que nos trará questões fundamentais para toda a vida pastoral da Igreja, nesta opção que a mesma Igreja é agora universalmente chamada a assumir. Não será um evento sem perspectivas, mas, ao contrário, nos trará incentivos e possibilidades de amadurecimento na ação missionária junto à juventude. O empenho de todos os que compõem o povo de Deus é condição sem a qual essa atenção, maternal e acolhedora, não terá o êxito querido pelo Santo Padre. Desde já, unamos nossa torcida para que o Sínodo projete luzes para compreendermos mais profundamente os muitos aspectos relevantes do mundo dos jovens e, assim, podermos levar a eles o Evangelho.

Fonte: http://arqrio.org/formacao/detalhes/2353/jovens-uma-opcao-preferencial