Faça parte você também!

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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A avaliação faz parte da dinâmica evangelizadora

Brasília, 1º de Novembro de 2014. 

Caros párocos e demais responsáveis pela evangelização da juventude no Brasil. 

“Os setenta e dois voltaram alegres…”
(Lc 10,17)

Depois da exaustiva missão, os discípulos “voltam alegres” junto ao Mestre e partilham com ele os frutos de seus trabalhos: o que fizeram, viram e ouviram! Falam e ouvem; notam os avanços e constatam as falhas. “Aprendem fazendo”, indo e voltando, com os acertos e erros, na atenção à vontade daquele que os escolheu, os capacitou e os enviou!
A avaliação faz parte da dinâmica evangelizadora, pois, sem ela, corremos o risco de não percebermos nem os progressos nem as limitações. Às vezes, inclusive, nos iludimos com as coisas secundárias e não conseguimos enxergar o que é essencial: “Eu vos dei o poder [...]. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos nos céus” (Lc 10, 19-20).
Estamos chegando ao final de mais um ano em nossa vida de discípulos missionários de Jesus Cristo. Quantas coisas bonitas aconteceram! E, também, quantas lacunas, erros, limitações! O projeto pessoal de vida de quem se coloca a serviço da construção da Civilização do Amor impõe uma séria reflexão sobre a missão assumida no meio do povo. Como evangelizadores de jovens, somos convidados a nos debruçar numa significativa avaliação pastoral.
Os jovens são tesouros em nossas Comunidades! Sua presença em nossos ambientes, além de nos alegrar e nos encher de esperança, nos questiona e nos compromete. Eles têm o direito de receber adequados e atraentes espaços, instrumentos, oportunidades que os auxiliem em sua formação integral e na educação à fé.
Convido-os/as, portanto, a realizarem, neste mês de novembro, na Comunidade local, um momento especial de avaliação sobre o serviço pastoral prestado à juventude. Não precisa ser algo longo nem complexo e, sim, prático e no espírito participativo. Com a presença de representantes das várias forças evangelizadoras da juventude (Movimentos, Pastorais da Juventude, Novas Comunidades, Congregações Religiosas, Catequese de Crisma, Pastoral da Educação, Juventude Missionária, Pastoral Vocacional, Pastoral Familiar, etc.) procurem refletir sobre estas e outras questões:

1) Quais são as diversas “juventudes” presentes em nossas atividades e ambientes? E quais “juventudes” não estão incluídas em nossas ações pastorais? Por quê?

2) Quais são as estratégias e momentos principais de “escuta” do jovem? Conhecemos, realmente, seus sonhos, suas necessidades, suas interrogações, seus medos, suas conquistas, seus fracassos?

3)    Quais são as perguntas mais difíceis e as questões mais desafiadoras apresentadas pelos jovens a nós? Como encaramos isto?

4)    Nossos jovens se sentem “em casa” quando estão conosco?

5)    Que elementos da cultura juvenil (teatro, esporte, dança, música, redes sociais, festa, passeio, etc.) são mais valorizados em nossos ambientes? Há investimento suficiente para isto?

6) Qual dimensão da formação integral precisaria ser mais reforçada em nossa Catequese de Crisma? Dimensão Humana? Comunitária? Intelectual? Eclesial? Espiritual? Pastoral Missionária? Social? Ecológica?

7)    Os jovens encontram momentos adequados e atraentes para a sua vivência de oração pessoal e comunitária? Eles têm a oportunidade de saborearem a Palavra de Deus?

8)    Oferecemos oportunidades para nossos jovens desenvolverem ações missionárias e trabalhos voluntários?

9)    Em quais momentos se nota o protagonismo juvenil?

10) Em que espaços de decisões (Conselho de Pastoral, Econômico, etc.) nossos jovens se fazem presentes e se sentem valorizados em suas ideias, iniciativas, criatividades?

11) O que estamos fazendo, principalmente com os recém crismados, para que haja mais engajamento nas pastorais e serviços comunitários? Temos propostas atraentes e sob medida para os jovens?

12) Há algum momento de unidade das diversas expressões juvenis da Comunidade?

13) Há adultos verdadeiramente apaixonados pelo trabalho com os jovens? Eles têm recebido convite e capacitação suficientes para um adequado acompanhamento das novas gerações?

Se acharem complicado responder a estas perguntas acima, que tal fazer a avaliação a partir do “ORAIO”? Explico! São apenas cinco palavrinhas-chave que, uma vez dinamizadas na Comunidade, irão dar um salto de qualidade na ação eclesial junto aos jovens! Entendamos um pouco:

Oração: “Os momentos celebrativos são cativantes, profundos e comprometedores?”
Reflexão: “Como os jovens amadurecem sua fé e vocação cristã a partir das reflexões?”
Ação: “Quais atividades estão sendo propostas para o fortalecimento dos jovens?”
Integração: “O que está sendo oferecido a favor da unidade e da amizade dos jovens?”
Organização: “Que organização está a serviço dos jovens e como eles participam dela?”

De grande importância é a existência de um PLANO PAROQUIAL (COMUNITÁRIO) DE EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE. Nada de muito complexo e extenso! Apenas a elaboração de um norte para efetivarmos, realmente, nosso amor pelos jovens! Algo que, num gostoso processo participativo com representantes das expressões juvenis, ajude a exercitar o olhar coletivo para a realidade juvenil e a busca comum de novos projetos. Se todo este processo de construção for realizado à luz da Palavra de Deus, certamente o resultado das reflexões irá ao encontro do projeto divino!
É isto!
Retomemos o Evangelho de Lucas. No final da “avaliação”, “voltando-se para os discípulos em particular, disse-lhes Jesus: ‘Felizes os olhos que veem o que vós estais vendo!” Quantos sinais de esperança os nossos jovens “são” e nos comunicam! Felizes nós que estamos vendo isto! Quanto se fez neste ano e quanto ainda somos chamados a fazer para favorecer a vida daqueles que Deus, carinhosamente, nos confiou para amar e servir!
A todos vocês, abraços carregados de agradecimento pelos sucessos alcançados! Coração repleto de orações em vista de novas frentes para o bem das nossas juventudes! Nossa Senhora os anime na busca constante de fidelidade à vocação de pastores e pastoras de jovens.
Com estima,

Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB

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