quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Juventude ArqRio em 2020: ‘Somos o sim que o jovem rico não deu'

A frase acima, que viralizou nas redes, é do assistente eclesiástico do Setor Juventude da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, padre Jorge dos Santos Carreira, durante uma das formações no retiro anual do setor, ocorrido entre os dias 7 e 9 de fevereiro, na Casa São Francisco de Sales, da Comunidade Sementes do Verbo, no bairro do Riachuelo, subúrbio carioca. O encontro foi acompanhado de perto pelo bispo auxiliar e referencial do Setor Juventude Arquidiocesano, Dom Paulo Alves Romão.
Foram três dias de recolhimento, oração, formação, celebrações, adoração, partilhas e discernimentos, orientação espiritual, pastoral e planejamentos para 2020, conclamado Ano Missionário Arquidiocesano pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta.
Estiveram presentes um total de 30 lideranças de 12 entre as diversas expressões de juventude das associações, movimentos e Novas Comunidades que atuam na Arquidiocese do Rio de Janeiro. Através desses jovens, estavam representados os vicariatos Leopoldina, Norte, Oeste e Jacarepaguá.

Pobres em espírito
Dom Paulo presidiu a Santa Missa, na noite do primeiro dia, e fez a palestra de abertura, com o tema: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5, 3)”.
Com sua linguagem sempre cativante e cheia de entusiasmo, desenvolveu o tema, traçando contrapontos que foram desde Santo Agostinho até o Papa Francisco, passando por grandes nomes da literatura italiana, como os escritores Alessandro Manzoni, Alberto Moravia e Cesare Pavese, a escritora inglesa Barbara Ward, o teólogo Romano Guardini e aportando em Dom Luigi Giussani, fundador do movimento Comunhão e Libertação, que é o ‘berço’ formativo de Dom Paulo, pois, segundo ele, para Dom Giussani, “todas as bem-aventuranças são sinônimas, maneiras diferentes de falar desta pobreza, da ‘pobreza em espírito’”.
Ainda segundo o bispo referencial da juventude carioca, “nas palavras do Papa Francisco, ‘os pobres remetem-nos para o essencial da vida cristã.’ E Santo Agostinho escreve: ‘Há pessoas que mais facilmente distribuem seus bens pelos pobres, em vez de tornarem-se, elas mesmas, pobres em Deus’. Nesse sentido, quem é então o pobre? Quem não tem nada que defender senão a própria sede, a própria espera, a própria natureza original e, por isso, fica todo inclinado a reconhecer e a acolher quem lhe possa responder. É a razão por que Jesus define os pobres ‘bem-aventurados’”, explicou Dom Paulo.
E encerrou, dizendo que “por isso somos totalmente pobres, porque, diante do mistério de Deus, o homem é nada, e a sua consistência é relacionar-se, obedecer-Lhe a cada instante”, concluiu.

Vocação e missionariedade
A comunicação de Dom Paulo “pavimentou o caminho” para as formações do assistente eclesiástico, no segundo dia. O também jovem padre Jorge Carreira abordou, à luz dos Dez Mandamentos, o relacionamento do jovem cristão com Deus, a vida de oração e intimidade com Ele, para que sejam fecundas a vocação e a missionariedade, buscando sempre agregar as coisas novas e antigas ao seu “bom tesouro” e abrir-se, com confiança, às constantes novidades de Deus.

Generosidade e radicalidade
Tomando como referência o Evangelho, que narra o encontro de Jesus com o jovem rico, problematizou:
“Jesus logo o exorta a cumprir os mandamentos. E o jovem responde que os têm observado desde a infância. É fato que a proposta de Jesus (‘Uma só coisa te falta: vai, vende tudo o que tem, dá-o aos pobres e, depois, vem e segue-Me’) confrontou-o com a sua verdade sobre: até onde, realmente, ‘cumpria os mandamentos’, até onde amava Deus sobre todas as coisas, até onde ele não cobiçava as coisas alheias, já que era tão rico e apegado, então, até onde ele amava o próximo (os pais, primeiramente) como a si mesmo? Sua atitude revelou que, de fato, ele não cumpria mandamento algum, porque não cumpria o primeiro deles: não amava a Deus sobre todas as coisas, já que não deixaria tudo para seguir Seu Filho”, pontuou padre Jorge.
E disse também: “Isto mostra que, embora praticante da religião, ele não tinha relacionamento com Deus. Ao se recusar deixar tudo por Jesus e o Evangelho, ficou claro que ele, na verdade, não cumpria nada e, por isso, faltavam-lhe a generosidade e a radicalidade”, declarou.

Jovens ricos em Deus
Ao final de sua reflexão, parabenizou a presença e atuação de cada jovem representante das diversas expressões de juventude que compõem o Setor na Arquidiocese do Rio, as quais, segundo ele, estão correspondendo ao chamado de Jesus: “Se estamos aqui, é porque, de alguma forma, ‘vendemos tudo o que tínhamos’, assumimos nossa pobreza e acolhemos a Cristo como nossa única riqueza. Portanto, somos a resposta que o jovem rico não deu”, concluiu padre Jorge Carreira.

Colaboração: Flávia Muniz – Setor Juventude ArqRio


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