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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Os jovens e o Dia Mundial das Comunicações

Por Dom Orani João Tempesta, O. Cist.

Comemoramos 50 anos do Concílio Vaticano II. Um dos dois primeiros documentos publicados por ele foi justamente sobre as comunicações: “Inter Mirifica”. Um decreto curto, mas que abriu o caminho para muitos outros documentos importantes sobre o tema na Igreja e, principalmente, colocou a comunicação como um assunto importante para a evangelização. Foi esse documento que criou o Dia Mundial das Comunicações, que começou a ser celebrado há 47 anos com o Papa Paulo VI.
Neste domingo da Ascensão do Senhor no Brasil, quando escutamos o mandato missionário para sermos testemunhas do Ressuscitado até os confins do mundo, conduzidos pelo Espírito Santo, sentimos como é importante o tema da comunicação entre nós, especialmente quando estamos há pouco mais de dois meses da realização da Jornada Mundial da Juventude aqui no Rio de Janeiro, que tem justamente por tema o “fazer discípulos entre todos os povos”, com o mesmo mandamento do “Ide”.
O tema deste ano, o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, é “Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização”. Foi anunciado na festa dos arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel, em 29 de setembro passado. Sua mensagem foi publicada no Dia do Jornalista, em 24 de janeiro deste ano, memória de São Francisco de Sales, pelo Papa Bento XVI.
O texto recorda que as redes sociais são importantes portais de verdade e de fé. Isso nos faz lembrar que, em sua mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, o Santo Padre também recordou a importância do jovem saber utilizar bem as redes sociais como espaços de evangelização.
Nestes dias, em que estamos na alegre expectativa da Jornada Mundial da Juventude Rio2013, e alguns dias após a publicação da agenda oficial do Papa Francisco aqui no Brasil, poder meditar e aprofundar a importância da comunicação é fundamental.
Hoje é impossível não perceber o valor e a centralidade que os meios de comunicação social conquistaram em nossa sociedade, sobretudo quando associados à globalização. A Igreja tem acompanhado com uma boa proximidade o desenvolvimento da mídia em nosso tempo, especialmente com a publicação de belos e importantes documentos.
Para a Igreja, que neste Ano da Fé esforça-se no objetivo de enfatizar a importância da fé como dom sobrenatural, por meio do qual nos comunicamos de maneira interpessoal com Deus, é imprescindível uma justa reflexão acerca de dois pontos fundamentais, por meio dos quais a vivência da fé é destacada em nossa sociedade: a juventude e os meios de comunicação. Daí vem o tema escolhido pelo Papa, que vê nas redes sociais oportunidade de ser portal da fé, da verdade e espaço de evangelização.
A juventude possui uma devida centralidade pelo fato de nela concentrarem-se as esperanças da Igreja em um mundo melhor, onde os valores cristãos sejam fundamental e espontaneamente vivenciados e haja uma cultura sempre baseada na revelação do amor de Deus, que enviou o Seu Filho Jesus Cristo para salvar a humanidade. Os nossos jovens, por isso, são o retrato da nossa sociedade que se constrói para o amanhã novo, e essa certeza faz com que confiemos a eles a missão de serem discípulos e missionários da nova evangelização que queremos realizar.
Os meios de comunicação social, conectando milhões de pessoas nos quatros cantos da face da Terra, são capazes de promover e levar a cabo a mensagem cristã, de maneira a alcançar um sempre crescente número de pessoas a quem tal mensagem toque, sensibilize e permita a Cristo chegar ao interior dos seus corações. Por isso, o interesse da Igreja pelos meios de comunicação social sempre possuiu um particular relevo, seja quando ilumina com as orientações éticas, seja quando os utiliza para anunciar a vida em Cristo. Por meio dessas maravilhosas invenções técnicas pode-se contribuir para a comunicação global e para que diversas necessidades humanas sejam sanadas, e pode-se, sobretudo, contribuir para a necessidade do homem de ir ao encontro com Deus.
Desta forma, como pastores da Igreja, temos diante de nossos olhos a necessidade de aproximar a juventude cristã e os meios de comunicação social, fazendo deles os instrumentos mais eficazes possíveis na missão de alavancar a propagação da fé, na perspectiva de uma autêntica e nova evangelização, como bem recorda o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações.
Porém, o grande segredo para que os meios de comunicação sejam bem utilizados e sirvam para anunciar a vida, a verdade e a fé supõe que a pessoa que o utiliza seja alguém bem formado e orientado como cristão, com suas convicções claras.

Certamente, os novos e sofisticados meios de comunicação social que temos hoje são de pleno domínio da nossa juventude. A Geração Z, dizem, já nasce com o dedo no teclado. A internet revolucionou a comunicação e contribuiu largamente para estreitar as fronteiras entre nações e continentes, e instaurou a consciência de globalização. Ela, com seus sites de relacionamento social, é capaz de transmitir mensagens, pensamentos, ideias, imagens e tipos de conteúdos os mais variados possíveis sobre diversos assuntos, e com isso fazê-los chegar a um número incomensurável de pessoas. Que o digam também os modernos recursos de comunicação presentes nos smartphones, em que é possível sempre armazenar tanto conteúdos audiovisuais, quanto escritos de fácil acesso e divulgação, por meio dos quais seria muito importante levar adiante a mensagem do Evangelho. Antigamente, as pessoas usufruíam do computador para utilizar a internet. Hoje a pessoa leva consigo o computador e toda uma convergência de mídias em suas mãos.
Diante dessa constatação, cabe a nossa juventude, sempre tão conectada e imersa na interatividade que a internet lhe proporciona, levar ainda mais a mensagem cristã ao mundo e com isso “conectar” o mundo a Cristo. É muito interessante ver como as redes sociais levam ideias e mensagens cristãs.
É claro que o meio eletrônico não substitui o presencial, pois necessitamos de uma vida em comunidade. Mas, ao “compartilhar” Cristo com todos aqueles a quem podemos atingir por meio de nossos “cliques”, devemos levá-los a uma participação presencial em nossas comunidades e ao entusiasmo pelo Cristo como Salvador.
A juventude de hoje, que é digitalmente nativa, deve ter a alegria da fé e anunciar o Evangelho, à sua maneira, para os seus coetâneos. Constata-se hoje que a internet está contribuindo para promover transformações revolucionárias no comércio, na educação, na política, no jornalismo, nas relações transacionais e interculturais, e que essas mudanças manifestam não só uma transformação no modo de os indivíduos se comunicarem entre si, mas na forma de as pessoas compreenderem a sua própria vida. Formou-se uma nova cultura!
É importante, também, destacarmos que os meios de comunicação social mais antigos, como o jornal, a revista, a rádio e a televisão, de modo algum tornaram-se obsoletos, pois estão presentes nessa convergência de mídias que hoje existe e, por isso, permanecem a exercer papel importantíssimo na informação e formação cultural de nossa sociedade. Nessa perspectiva, à juventude, com suas inovações e dinamicidade, fica o desafio de que a nova evangelização objetiva, ou seja, promover o uso de tais meios como forma autêntica de propagação da fé, enfatizando sempre seu caráter vivificante e transformador, ao passo que sempre sublinhando seu fundamento: o encontro pessoal com o Senhor.
‘’Ide e fazei discípulos entre os povos’’ (Mt 28,19), eis o lema da Jornada Mundial da Juventude Rio2013, que estamos nos preparando para celebrar dentro do contexto deste Ano de Fé que ora vivenciamos. Reunir milhões de jovens das várias partes do mundo é vivenciar em grandes proporções aquilo que já é vivenciado no dia a dia da Igreja: o encontro pessoal com Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Jo 14,6).
Precisamente aqui está o desafio fundamental que afrontamos: encontrar meios para promover e formar discípulos e missionários que respondam à vocação recebida e comuniquem por toda parte, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo.
Ora, faz parte da vivência da fé cristã o testemunho do que ela representa e do que é, pois o cristianismo, como já nos enfatizara o Santo Padre, não nasce de uma bela ideia ou de um programa ético simplesmente, mas de um acontecimento, ou seja, de um encontro com uma pessoa: Jesus de Nazaré. A fé cristã, portanto, baseia-se no “encontro pessoal” com Aquele em quem está a felicidade plena e a resposta para as nossas mais profundas interrogações e buscas acerca do sentido último da vida. É preciso, portanto, que O demos cada vez mais a conhecer a todos, para que, por meio desse encontro pessoal com Ele, encontrem também a verdadeira felicidade. É nossa missão fazê-lo.
Por isso, para corresponder à vivacidade e à beleza que este encontro pessoal com Cristo realiza na vida de todo aquele que crê e que por isso leva-o a confessar Cristo e não se envergonhar d’Ele, conclamo aos jovens para que façam das redes sociais, dos meios de comunicação social, verdadeiros instrumentos de testemunho da fé cristã, a fim de que em tudo seja Deus glorificado por Jesus Cristo e para que correspondamos ao mandato do Senhor de ir ao mundo, pregando o Evangelho a toda criatura.
Que a JMJ faça de cada jovem o evangelizador do novo milênio que a Igreja tanto necessita: sinta em seu interior o ardor missionário que impulsionou os primeiros cristãos a proclamar, sem temor e em toda parte, a Boa Nova de Cristo, e, agindo como eles, realizem a obra da nova evangelização à qual a Igreja propõe no mundo atual.

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