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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vocação: “uma semente que cai em terra boa”

A palavra vocação vem do latim vocare, que significa chamado. Assim, se alguém chama, necessariamente, deve haver alguém que escute e responda. Na mensagem pelo Dia Mundial de Oração pelas Vocações, em 2014, Papa Francisco destacou que todo chamado exige um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e que “nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno”.
Com esse desejo, 67 jovens de oito vicariatos da Arquidiocese do Rio de Janeiro participaram do 31º Encontro Vocacional do Vicariato Suburbano e do 4º Encontro Vocacional Arquidiocesano, realizado na Fazenda São Joaquim das Arcas, em Itaipava, entre os dias 15 e 19 de agosto. 
Nesse encontro, os vocacionados tiveram a oportunidade de dedicar um tempo mais específico para pensar e amadurecer o ideal vocacional, além de trabalhar os temas da oração pessoal, da vida comunitária e religiosa. Eles também participaram de palestras sobre o sacerdócio e a missão do padre no mundo, de partilhas sobre temas vocacionais mais aprofundados, de momentos de oração, adoração, missa diária e uma gincana, cujo objetivo era promover a vida comunitária.
“Por meio de brincadeiras, competições e com bastante garra conseguimos demonstrar, de alguma forma, para os participantes que o caminho vocacional é, de fato, um grande desafio, mas que pode ser trilhado na medida em que mantemos o nosso olhar fixo em Jesus e, também, cultivamos a vida fraterna, que é um caminho de santidade”, explicou o seminarista Islandson Felix.
O desejo de auxiliar no discernimento dos futuros sacerdotes surgiu no coração do monsenhor José Mazine há 15 anos, quando ele iniciou o trabalho apenas com o vocacional no Vicariato Suburbano. Há dois anos, os retiros foram estendidos em âmbito arquidiocesano.
“Esses encontros servem para lançar as sementes. Não posso afirmar que os 67 jovens serão sacerdotes, porém é como uma semente que cai em terra boa e dá frutos. Nesse período de discernimento, o apoio da família é importante e o do Cardeal Orani João Tempesta é um grande estímulo para os vocacionados. Já estamos pensando no próximo encontro que vai acontecer na última semana de janeiro. É um trabalho que requer tempo, mas temos a esperança de que ele vai gerar muitos frutos”, completou.

Porém, monsenhor Mazine também ressaltou a importância do apoio dos fiéis e das comunidades, uma vez que os encontros são gratuitos e necessitam de doações tanto financeira quanto de alimentos para que possam acontecer.
“Precisamos do apoio das paróquias para a realização dos encontros, uma vez que todos os retiros são oferecidos de forma gratuita. Todos podem contribuir; os paroquianos devem procurar os párocos. Além disso, é um trabalho de caridade ajudar na formação de um futuro sacerdote. Eu fui ajudado e agora tenho a oportunidade de ajudar a outros”, finalizou.
Para monsenhor Mazine, ainda é necessário realizar um trabalho vocacional com os mais jovens, como os coroinhas, por exemplo, que crescem ajudando no serviço ao Altar. Ele também sublinhou com alegria o fato das ordenações diaconais dos futuros sacerdotes serem realizadas nas próprias paróquias de origem dos seminaristas. De acordo com monsenhor Mazine, esse é um motivo para a Igreja se alegrar ainda mais por testemunhar um filho na ordenação.
“É causa de imensa alegria e realização ter a oportunidade de colaborar, um pouco que seja, com o monsenhor José Mazine, que é o grande idealizador desse belo trabalho vocacional, nessa nobre missão de orientar e animar esses rapazes corajosos, que já estão iniciando esse caminho de discernimento vocacional. Por isso, precisam dessa iniciativa, de nosso apoio e de nossa confiança, a fim de que, um dia, assim como nós, também possam dar passos ainda mais concretos e acertados nessa busca pela realização da vontade do Senhor da messe”, acrescentou o seminarista Islandson Felix.

A VOCAÇÃO NASCE, CRESCE E SE SUSTENTA NA IGREJA
Numa das mensagens pelas vocações, Papa Francisco também ressaltou que “o caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação”. Se um vocacionado precisa caminhar de mãos dadas com a comunidade paroquial que precisa impulsioná-lo a prosseguir, o jovem também precisa conviver com aqueles que partilham do mesmo desejo de seu coração.
Foi exatamente isso que o seminarista Pedro Israel fez. Participante desde 2007 e, atualmente, um dos dirigentes do encontro, ele destacou a importância da convivência com sacerdotes e pessoas que sentiam o mesmo desejo pela vocação antes de se decidir pela vida sacerdotal.
“Antes de tomar a decisão para ingressar no seminário, tive a oportunidade de ter contato com padres e demais seminaristas e partilhar sobre a vocação. Isso me ajudou a ter mais segurança para dizer meu sim. Hoje, tenho a chance de me dedicar pelas vocações, às quais tenho muito apreço. Além disso, para mim é importante ver os jovens ainda no período de discernimento e, assim, poder relembrar também o início de minha caminhada vocacional”, destacou.
Para o vocacionado da Paróquia Nossa Senhora da Apresentação, no Vicariato Suburbano, Alexandre da Rocha Abril, foi possível realizar uma troca de experiências durante o encontro, o que fortaleceu ainda mais a fé dos participantes.
“O local nos propicia um profundo discernimento do chamado de Deus em nossas vidas, além de contribuir para o nosso crescimento espiritual e pessoal, haja vista que a troca de experiência entre os participantes fortalece cada vez mais a nossa fé. A equipe de formação nos levou a refletir sobre a nossa missão neste mundo. Por isso, deixo aqui o nosso agradecimento por todo cuidado disponibilizado a todos os jovens que participaram do encontro”. 

A VOCAÇÃO FEMININA
O grupo vocacional feminino da Arquidiocese do Rio completou dois anos em maio deste ano. Ele tem como objetivo incentivar jovens de diversas paróquias a discernirem suas vocações tanto no sentido matrimonial quanto na vida religiosa.
A iniciativa é das irmãs do Instituto Nossa Senhora do Bom Conselho, que se reúnem no Seminário de São José, no Rio Comprido, todo terceiro domingo do mês com cerca de 30 jovens, de março a dezembro. De acordo com a responsável pelo grupo, irmã Aix de Oliveira, o encontro busca apresentar às jovens os valores cristãos, mesmo em meio a um mundo secularizado.
“Sabemos que nos dias atuais muitas coisas são influenciáveis na vida da juventude. Por isso, queremos trazer essas jovens para mais perto, para que elas entendam o verdadeiro significado dos valores cristãos”, disse.
Muitas passam a frequentar o grupo por curiosidade e outras tardam a visita por medo. Justamente por esse motivo a equipe vocacional também vai às paróquias para visitar e realizar palestras. Essa aproximação faz com que as vocacionadas estejam mais abertas e, dessa forma, possam fazer perguntas ou tirar dúvidas.
Nos encontros também são realizados trabalhos de formação psicológica e para a vida espiritual, com adoração ao Santíssimo Sacramento.
“Diante de Cristo, cresce a intimidade com Ele, cresce a vontade de servir à Igreja. Dessa maneira, as vocacionadas são motivadas a terem uma escolha consciente”, completou irmã Aix.

Foto: Sérgio Ribamar

Fonte: http://arqrio.org/noticias/detalhes/4775/vocacao-uma-semente-que-cai-em-terra-boa

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