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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

"Rio de Fé" estimula a cultura do encontro

Exaltando a cultura do encontro e a vitória da fé, o documentário “Rio de Fé – um encontro com Papa Francisco” apresenta a Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013) com uma proposta interativa e jovem. A película de 85 minutos de duração tem a direção de Cacá Diegues, da produtora Luz Mágica, e distribuição da H2O Films. O DVD do filme, produto oficial da Jornada, será lançado no dia 5 de dezembro, com vendas em todas as lojas do país.
A película cumpre sua proposta de provocar o diálogo ao trazer as várias vozes da sociedade acerca da experiência de fé. “Filmamos o que vimos acontecer, ouvimos as pessoas que fizeram acontecer. Nossa grande adesão e entusiasmo foi pela vitória da fé, do amor e da delicadeza durante a Jornada. E pelas palavras do Papa Francisco”, destacou o diretor.
Durante o filme, mostra-se a cultura do encontro pregada pelo Papa Francisco, através de cinco olhares: a da Igreja, do peregrino, da cidade, da favela e da tolerância religiosa. Entre os depoimentos, há um amplo ‘leque’ de pontos de vista, incluindo um membro da Opus Dei, um ateu e o teólogo Leonardo Boff. Há também testemunhos de jovens participantes, como o de Priscila, moradora da Maré, voluntária da JMJ, que esteve perto do Papa durante os dias da Jornada. Pode-se acompanhar ainda a história de dois peregrinos que vieram a pé para o evento: o argentino Albert e o cearense Fábio Mateus. O testemunho do jogador de vôlei Riad Ribeiro é outro destaque do documentário. Ele reformou a sua casa para acomodar peregrinos de diferentes lugares, e conta sua experiência.
O documentário mostra também a experiência que peregrinos tiveram de conhecer outras religiões e visitar um centro de umbanda e candomblé durante a Jornada. O objetivo é mostrar que a crença é uma opção individual, mas que o encontro e o diálogo entre as pessoas que professam diversos credos são necessários para o mundo viver em paz. Outro momento registrado: o encontro de muçulmanos, católicos e judeus em um evento realizado na PUC-Rio. Juntos levantaram temas a respeito da fé do ser humano.

Celebrando a paz e a solidariedade
O que mais impressionou o diretor Cacá Diegues durante a JMJ foi a experiência de fé dos jovens. “A fé que fez com que aqueles jovens se encontrassem ao longo de uma semana, celebrando a paz e a solidariedade, rezando, cantando e dançando sem qualquer violência e nenhuma ocorrência policial. Como diz padre Ramon no documentário, até os ateus se encantaram com o que viam acontecer naqueles dias”, relatou.
A JMJ apresentou uma juventude “católica plural, capaz de entender e aceitar a diferença em nome do amor e da pregação cristã”, explicou Diegues. Já o Papa Francisco trouxe ao Brasil e ao mundo “a inesquecível inauguração de uma Igreja mais moderna, tolerante, solidária e amorosa, segundo os ensinamentos de Cristo”, completou.
Para o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, o filme trouxe uma reflexão acerca da juventude, tolerância religiosa, superação, tendo como cenário a JMJ Rio2013. “Exibe a riqueza da cultura e da diversidade brasileira. São sotaques, crenças, opiniões, em um encontro de fraternidade e união. Traz histórias de peregrinos que superaram longas distâncias, cansaço, calor, frio e chuva, de um jovem que superou as drogas e a pobreza, de grupos que atravessaram o Brasil e o mundo para participar da Jornada”, destacou.

Encontro e diálogo
O Papa Francisco é um grande entusiasta da cultura do encontro e do diálogo. Durante a JMJ, ele destacou que “permanecer” com Cristo não é se isolar, mas ir ao encontro dos demais. O tema também é recorrente em seu pontificado. O Santo Padre pede insistentemente que a cultura da confrontação seja substituída pelo encontro para que o anúncio do Evangelho seja eficaz.
“O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana”, destacou o Papa. De acordo com o Santo Padre, é preciso esquecer a presunção de tentar impor as “nossas verdades”. “Fomos chamados por Deus, chamados para anunciar o Evangelho e promover corajosamente a cultura do encontro”, disse durante a missa com sacerdotes, religiosos e seminaristas na Catedral de São Sebastião, no dia 27 de julho, durante a JMJ.
“O que Jesus nos ensina é primeiro encontrar-nos, e no encontro, ajudar. Precisamos saber encontrar-nos. Precisamos edificar, criar, construir uma cultura do encontro”, ressaltou o Papa em vídeo-mensagem para os fiéis reunidos no Santuário de São Cayetano em Buenos Aires, no dia 7 de agosto.
Foram as palavras do Papa os momentos mais importantes no documentário, segundo Cacá Diegues. “Ele lançou a palavra de ordem para o mundo em que vivemos: a cultura do encontro!”.
De acordo com Dom Orani, o documentário é uma resposta ao apelo do Pontífice. “O filme dá resposta aos pedidos do Papa Francisco: de ir às periferias existenciais e de trabalhar por uma cultura de diálogo construtivo. Mostra o acolhimento do povo carioca, o engajamento dos voluntários ao receber os milhões de peregrinos, todos de braços abertos, assim como o Cristo Redentor nos inspira”, ressaltou.

Execução do documentário
Para cobrir toda a Jornada, foram formadas cinco equipes de cerca de três ou quatro membros cada uma. A cada dois dias, de acordo com Cacá Diegues, os diretores se reuniam para ver o que cada um havia filmado e planejar o passo seguinte. Os jovens diretores de cinema responsáveis pela filmagem e entrevistas foram Gustavo Mello, Cadu Barcellos, Flora Diegues, Cadu Valinoti e Marcos Moura, coordenados por Ana Murgel.
A cobertura foi realizada com base em diferentes focos: os peregrinos, as famílias acolhedoras, os voluntários de várias origens, testemunhas de outras religiões e a presença do Papa na cidade.
Para a execução do documentário, Cacá Diegues disse ter estado atento ao que via durante a JMJ: “Tínhamos uma agenda do evento, mas não sabíamos o que ia acontecer dentro de cada ação. Era preciso ter sempre os olhos e os ouvidos bem abertos para registrar o que ia acontecendo, sem que pudéssemos adivinhar o quê”, completou.
A escolha dos entrevistados também foi sendo feita à medida que a Jornada acontecia. Alguns personagens mais importantes também foram entrevistados várias vezes. “Aqueles que diziam ou contavam coisas que mereciam registro, a gente voltava a eles várias vezes, como personagens do filme. Essa escolha foi de Dom Orani, arcebispo do Rio de Janeiro e intelectual muito preparado”, disse o diretor. Este foi o caso, por exemplo, do cearense Fábio Mateus Feitosa que peregrinou a pé até o Rio de Janeiro.

Jovens mostram experiência de fé ao participar de documentário
O documentário conseguiu trazer várias vozes da sociedade e apresentar uma experiência de fé e de amor, de acordo com Walmyr Júnior, membro da Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ele foi um dos entrevistados da equipe do diretor Cacá Diegues. “A proposta do documentário é falar sobre a religiosidade, a experiência de fé. Não só de uma prática religiosa, mas de várias vozes da sociedade”, destacou.
A própria Jornada, segundo Walmyr Júnior, foi uma oportunidade para um grande encontro entre as várias partes da sociedade e da Igreja do Brasil e do mundo. “A JMJ possibilita encontrar no rosto jovem de cada participante o Cristo que é amor, comunhão, compaixão, partilha, independente de qual participação política, credo”, ressaltou. Ele disse ainda que é a ocasião propícia para dialogar com a juventude e mostrar que a Igreja está aberta a todos para construir a sociedade.
Walmyr Júnior lembrou ainda que, durante a JMJ, houve encontros que proporcionaram o diálogo inter-religioso. A Pastoral da Juventude também está à frente de um movimento de juventude inter-religiosa no Rio de Janeiro.
O estudante de Direito Lucas Monteiro, de 22 anos, também participou do documentário. De acordo com ele, a experiência foi única. “Eu não tinha expectativa de aparecer em um documentário desse porte, com essa produção, e responder sobre um tema que não é ligado diretamente à fé, que foi a minha visão como jovem da situação política do Brasil, em especial das manifestações”, destacou.
Lucas Monteiro mora em São Luís (MA) e já participou de três JMJs (Colônia, em 2005, como peregrino; Madri, em 2011, e Rio, em 2013, como voluntário). Nas duas últimas jornadas, ele fez parte da Equipe Nacional de Jovens Comunicadores (Jovens Conectados).
A JMJ deixa para o Brasil um legado de questionamento da sociedade e do papel da Igreja e do jovem, de acordo com Lucas. “Um dia, nós, jovens, é que substituiremos os párocos, os bispos, os parlamentares, os profissionais liberais. Quem sabe um futuro Papa tenha participado da JMJ e se inquietado sobre a sua vocação lá! Tudo é possível!”, destacou.
Ele disse ainda que os jovens também desejam ser protagonistas. “Acredito que o jovem se mostrou aberto a ser participante dessa mudança. Agora cabe à Igreja do Brasil fomentar esse jovem para as discussões que afetam toda a sociedade, suas problemáticas e soluções, além de trabalhar a espiritualidade para que o jovem não seja um vazio, um na estatística, mas alguém cuja atitude contribuirá para o bem da nossa sociedade”, sugeriu.
A geração JMJ é aquela que “ama a Cristo, que está disposta a fazer a diferença no mundo, dentro das diferentes vocações que cada um se enquadra”, de acordo com o estudante. A missionariedade é a marca que diferencia a Jornada do Rio das demais. “Fazei discípulos: Cristo veio, e sua palavra é universal. O discipulado, o apostolado, deve ser trabalhado com todos; deve-se dar a oportunidade do discipulado a todos”, completou.
Lucas também deixou claro que em seu depoimento no documentário não falou em nome de uma ideologia, mas em seu próprio nome “de um cidadão jovem, que não tem a soberana certeza de qualquer assunto. Se alguém concordar com aquilo que eu disse, significa que a inquietação não foi só minha. E eu espero que até aqueles que pensem o contrário daquilo que eu disse possam fazer parte da discussão e dar a sua contribuição”.

Fonte: Jornal Testemunho de Fé

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